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Quantidade ou qualidade? A falsa polarização da conversa nas mídias sociais

Como professor de inglês, eu sempre vou cair no modismo: as portas se abrem ao descobrir as possibilidades de interação com o mundo, seu salário vai ser no mínimo 30% maior, você vai viajar para lugares que sempre sonhou conhecer e ter a experiência da troca cultural na pele. Mas espere um pouquinho: na pele? Na pele é quando a gente toca, e se tratando de interação com pessoas, esperamos não falar de sexo — até porque isso não pode ser publicado sem documentação assinada (e é claro, confesso que é uma piada com a situação atual deste blog). Fato é que os jovens estão escolhendo suas próprias mídias, e já entenderam que o Twitter é lugar para adultos. Não estamos discutindo teses acadêmicas no Facebook, nem receitas de bolo no TikTok (na falta de Trakinas); mas queremos, em todos os ambientes que escolhemos habitar, conversas com pessoas que se importam com a gente. Será que encontramos isso?

Essa é uma proposta de debate. Já mencionei em vídeos os aplicativos Wink e Hoop; mas as minhas críticas ao Snapchat, acreditem ou não, fizeram a plataforma me banir do aplicativo permanentemente (se foi alguma outra entidade, sinceramente não estou em condições de comentar, pois não se faz análise sem dados). São ideias simples que têm como motivação principal o contato entre pessoas que, ao contrário dos aplicativos de namoro, são do mundo inteiro. Uma questão que vai além, talvez, da percepção da maioria de pessoas que usa os serviços (que já passam por dificuldades) é a construção do algoritmo. É muito evitado se falar no Omegle ou mesmo na versão adulta (anterior a todas as mídias sociais e inclusive aos principais sites de pornografia) da conversa por webcam, mas não é disso que se trata. São pessoas que trocam mensagens, dizem de onde falam, e daí não sabem mais conversar sobre nada. Os contatos ficam ali, no seu aplicativo (seja o Instagram, seja o Snapchat, ou mesmo o que alguns vêm sugerido, como Telegram, Line ou até mesmo RingSmiley, uma versão asiática dentre os muitos aplicativos de conversas entre estranhos). Desde o Olive, uma espécie de freemium para vídeo, até o Boo (este com o apoio da Psychology Today), existem muitas tentativas de injetar comunicação com estranhos estrangeiros nas mídias sociais recentes. Nenhuma delas parece ter pensado o suficiente na seriedade do projeto, simplesmente oferecendo uma distração.

Mesmo quando ficamos em nosso próprio círculo de amizades, informações chegam de todos os cantos. Se você não produz nada, você consome, com certeza. Até uma pessoa que lê a Bíblia todo dia e escolhe ouvir as palavras da Paróquia ao invés do seu YouTuber favorito vai passar por anúncios e memes, mesmo porque a publicidade já se apropriou dessa linguagem. O que devemos observar é que também as Paróquias estão nas mídias sociais, e não importa se tiverem perfil: de onde vêm as mensagens animadas com palavras do Senhor, com um coelho sorridente lhe desejando um bom dia? Não queremos coelho, queremos outra coisa (e aqui deve se alongar a vogal para entendimento do implícito). Tudo bem, talvez nem sempre. Mas o embate está no hábito e na experiência: ao se procurar um relacionamento, abandona-se a vida de muitos para muitos, e se dedica àquela pessoa ao máximo do tempo disponível. Se souberem dosar e ter conversas úteis e agradáveis, com respeito e entendimento da história de cada um, ótimo. Se não, vão se trocar acusações de que um conheceu “quem é de verdade” o outro, e isso não leva a nada. A única coisa sobre a qual devemos estar alerta é que também nossas conversas, não importa a qualidade ou a quantidade, estão sendo avaliadas por terceiros, apesar de todo o discurso empresarial e parte do legal (alguns de nós leem os termos de uso) dizerem que não. Quem define isso é outra instância, e em muitos casos, se houver algo de errado, há de se lutar para provar que a acusação pode ter sido falsa, e quem sofreu injúria foi a parte acusada. Mas quando isso toma proporção massificada, temos basicamente uma crise de saúde pública, além de segurança, que hoje é determinada pelas grandes empresas de tecnologia, para o bem ou para o mau.

Code switching e cultura popular: identidade de baixo para cima

Muitos debates poderiam ser feitos, e já foram, sobre a questão do acesso a formas de expressão não-nativas e as oportunidades de integrar debates globalizantes. Parece que o mundo do trabalho não é mais o mesmo. Movimentos internacionais não são cobertos apenas pela mídia que os millenials conheceram, e se gabam com motivações aparentemente juvenis pelo fato de terem visto o mundo do orelhão na rua, das fitas cassete ou do VHS. Alguns lembram das videolocadoras e dos anúncios do poderoso DVD; outros focam nas redes sociais de vanguarda, por falta de termo mais apropriado, como o Orkut e o Fotolog. Mas embora o mundo de hoje apresente dados que salientam o papel da mobilidade e portabilidade do conhecimento (uma falácia conveniente) e termos um sem-número de novos aplicativos de sistemas operacionais para smartphones, não se toca na questão das chamadas “parent companies“, donas dos direitos. Eu particularmente não me incomodo tanto quanto possa parecer: o que me causa incômodo, tanto pelo histórico que carrego, entre tantos embates comigo mesmo e com um mundo desconhecido e altamente desenvolvido, com o qual tive contatos prazerosos e traumáticos sem saber definir quais foram os casos com a precisão necessária, não são as “companies“, mas sim, mudando para o masculino, os “parents“. Explico.

Quando comecei minha pesquisa acadêmica (e juro que não me alongo), percebi um certo movimento: nichos se intensificavam em complexidade, e o senso comum era uma espécie de realidade negada. Não é uma questão de micro e macro: o estilo de vida de um jovem que passava 5 horas por dia na internet era diferente daquele (e devemos incluir a experiência feminina com devido rigor, além de trazê-la para o debate, com o cuidado de não se apropriar da fala) que se ocupava com a limpeza de um banheiro, com o trabalho que começou muito cedo, com a sua própria vida social pré-midiática, ou que fosse com um desenho animado ou videogames, além dos estudos (na época em que o livro didático ainda era uma coisa relevante). É possível argumentar longamente sobre o valor da leitura, mas muitos desistem dessa estratégia, confrontados (seja por uma percepção de impotência frente ao desconhecido; seja por não encontrarem pessoas que compartilham das mesmas ideias, inclusive na família) com o grande poderio da comunicação massificada em vídeo. É positivo, por um lado. Mas há controvérsias grandes demais para serem ignoradas, e isso deve pautar debates.

Uma série de fatores me força a usar uma grande metáfora: os formatos de vídeo podem ser incompatíveis com a cognição de diferentes faixas etárias; podem também ser uma grande bobagem. Não faço comentários a respeito da brevidade das mensagens, da apropriação e mesclagem de conteúdos de outrem para divulgar uma impressão falsa da personalidade da geração z; não é o meu mundo, apesar de eu tentar entender, com muita boa vontade, mas acabar sendo sugado por um universo onde a atenção opera em outro modo. O mundo corporativo alertaria que a falta de atenção é o problema a ser enfrentado (os americanos usam uma expressão do esporte, não muito amigável, mas até que aceitável: “tackle“); o jovem parece nos dizer, a todo momento, que não entendemos nada sobre nada. E quem disse que convém contar suas histórias? A ridicularização é uma característica fundamental do que chamam de “cancelamento”, mas parece que todo mundo associa esse fenômeno a uma espécie de revolta com o comportamento dos que vigiam, seja qual for o propósito, e nunca (em hipótese alguma) discutindo os meios. São criados termos como “stan” (stalker + fan) e tantos outros, sem que a senhora que ainda assiste o Jornal Nacional tenha a menor ideia do que se trata. Perceba: estamos muito longe disso; mas o desejo, acredito, é de fato “participar” desses movimentos. Mas isso se dá sem expectativas, e sim por meio de espectadores. Veja: não agentes, nem mesmo assimiladores; brasileiros e brasileiras são meramente cientes, o que é opcional quando é possível, de certos movimentos da cultura. E o importante de se enfatizar é que a língua é cultura. Mas aí fica complicado.

Quando se trata dos propósitos do aprendizado de língua estrangeira, não se trata da cultura estrangeira com tanta frequência. Ainda se pensa que o entretenimento padrão vai dar as respostas, enquanto a demanda é por experiências reais, não fantasiosas. Por meio das narrativas, se procura por uma espécie de “fundo de verdade”, mas qualquer um sabe encontrar um exemplo onde tanto o fundo quanto a superfície são completamente deturpados. E aí entramos em questões básicas, mas apesar da introdução insuportavelmente prolixa para os menos iniciados na leitura formal, estamos tratando dos primeiros contatos com o mundo estrangeiro, informalmente. Isso não era possível. Então concluímos que é tudo muito bonito? O final é feliz? Depende. E é aí que eu quero chegar. Quantos pensam naquelas pessoas que conhecemos em redes sociais, nos comentários que vemos, nas sugestões e na sua arquitetura, e o efeito de cada uma das interações–que se note: com pessoas, empresas, robôs e violadores de regras em proporção esquizofrênica? Seria uma história linda falar que você conheceu alguém de fora que foi muito bacana com você; mas depois que todos nós perdemos a paciência com as demandas implantadas pelas redes que se promoviam como grandes agentes da união dos povos, hoje não são só as empresas que sofrem acusações de más práticas, mas também os usuários (com muitas razões, apesar de poderes altamente desiguais). Será que uma pessoa que tem 5 mil contatos no celular sabe dizer quem são seus verdadeiros amigos? E veja só: a plataforma Instagram, por exemplo, antecipou isso, introduzindo o conceito “close friends“. Mas não é sobre nada disso. E isso é o xis da questão–um só, tá legal?

Eu assisto comentários sobre finanças na televisão a cabo. Às vezes, aparece o primeiro ministro britânico ao vivo, falando ao parlamento, e seguem-se comentários sobre as decisões políticas e as múltiplas perspectivas de lá, dos americanos e do restante das empresas interessadas em margens de lucro e oportunidades. No mundo “real”, tão exaustivo de se definir quando se nega que o acesso à informação em menos tempo de vida é um fator mais ou menos determinante, e ao mesmo tempo que se recusa em várias frontes uma discussão adequada sobre os limites do discurso (e mesmo os pesquisadores não sabem determinar quais seriam estes, confrontados com dados e intensificação de tom, prática e expectativa), se propõe que seja adotado o chamado senso comum, sendo que quem determina o que acontece ou deixa de acontecer é, no papel, o grupo de empresas de tecnologia e um grupo ainda menor de pensadores da legislação. Mas ninguém quer saber de legislação! Querem saber (leia com atenção, porque é um alerta e uma constatação) por que os jovens se comunicam da maneira que se comunicam, achando que é normal. Mas note que o desinteresse pela vida do jovem é um problema pelo qual todos passamos (quando jovens, é claro). A competição da vida escolar se transformou em outra espécie de jogo, onde não é mais o vestuário, a cor do cabelo ou a nota da prova que gera uma impressão nos colegas; é a vida digital. E a maneira que esta se constrói, se levarmos a sério o tal princípio sólido da constituição estadunidense em sua primeira emenda, é questão pessoal e inviolável. E agora? Participamos disso? Se a expressão é livre, convém questionar como ela é silenciada. Mas também devemos pensar: e se as conversas privadas tomarem um rumo de favorecimento à deterioração das relações de respeito ou de naturalização das violações à honra e dignidade, conceitos estabelecidos pelo que chamamos de direitos humanos? Num mundo que tem os americanismos como modelo, por vezes sem nunca ter ouvido o termo imperialismo, será que vamos perceber que eles se viram bem, enquanto o estrangeiro sempre é excluído? Percebemos o desrespeito institucional, velado e de debate restrito para impedir a participação inclusive intelectual na sociedade onde o centro do capitalismo é o mercado estadunidense? Ou ainda: quem se vale dos contatos diretos para aprimorar uma percepção do que podemos falar e quando a nossa voz passa a incomodar, às vezes em sentido literal? Chega-se ao ponto de comparar uma fala pausada de um pensamento bilíngue ao retardo mental, e nem pense em argumentar com o americano se a pronúncia não tiver sido rigorosamente adequada aos estudos de fonética e fonologia; você não será ouvido, e quando for, será questionado.

Voltando à questão das liberdades, a minha atuação na análise dessas mudanças do plano discursivo se deu por muitos caminhos tortuosos. As histórias pessoais não importam tanto. É a famosa expressão: “a blessing and a curse“. Para eles, não importa. Para nós, seria escandaloso. Mas a localização é muito problemática. Quando deixamos de atentar às redondezas, renunciando inclusive atenção à família (apesar de discordarmos pela necessidade de auto-afirmação, o que é válido, até certa idade), para fazer apenas uma tentativa de migrar para o mundo que fala outra língua, aparenta não ter tantos tabus, mostra claros conceitos e possibilidades de abordagem dos mais variados temas e realmente sai do padrão conhecido e martelado pela mídia local, tudo parece muito interessante. Mas esquecemos que a nossa linguagem é nossa; nossos problemas, também. A influência mútua, devidas proporções do contato de uns e a expectativa dos espectadores diversos, é um conceito a se ponderar. Às vezes, não é mútuo–nem um pouco. Outras, pode até ser, mas a facilidade de trocar de identidade pela oferta mais conveniente ou mais atrativa (o que toma formas que pedem permissão para entrar na nossa vida, mas acabam por arruinar muitos de nossos planos) é o que faz da mudança linguística um tema de saúde mental: devemos entender o comportamento de forma humanizada, e avaliar periodicamente nossos atos, palavras, rotinas e relações (inclusive questionando se elas são verdadeiras ou não). É legal participar de um mundo novo das relações e presenciar particularidades linguísticas, comportamentais e expressivas que nos fazem apaixonados pela novidade? No começo, com certeza. Mas o começo de muitos jovens hoje em dia é marcado pelo conflito, que parte de uma simples imagem de si, já atrelada a inúmeros estereótipos, alguns deles assumidos e até bem definidos; mas as experiências e o que faremos com elas, principalmente se vamos ter algum papel de guia no futuro, trazem preocupação. O bom é que ninguém liga muito pro que se escreve num texto (a não ser que ele seja compartilhado num grupo secreto, ou algo do tipo, por meio de cópias que nem legais são; mas se o usuário não toma iniciativas, quem o faz é a liderança da empresa–e isso não devemos nunca deixar de questionar, a fim de participar não somente de uma “conversinha”, mas de uma discussão pautada em análise moderada, apesar das quedas e choques, para enxergar um futuro possível onde as liberdades não sejam condenadas, embora sejam reservadas a alguns (de cima) e negadas a todo custo a outros (de baixo).

Imagem: Pexels

Atenção: fator colaborativo e déficit do ego

Os modelos de trabalho remoto forçaram muitos que não integravam a lista dos serviços essenciais a procurar novas formas de alcançar pessoas a fim de conseguir administrar a vida. Isso pode parecer uma questão de regulação das finanças, à primeira vista; não é. Acho que, antes de mais nada, cabe pensar no que classificaram como essencial. Barbearias? Pelo amor de Deus. Se quiser usar desta avaliação específica para fazer comentários sobre administração, fique muito à vontade, pois estamos pertinho do mês de Outubro. Mas fato é que no meio da transformação digital, que já é complexa não por ser ininteligível, mas sim por ter perspectivas diversas, não se chegou a um consenso sobre quase nenhuma questão do uso das ferramentas sociais–evito, propositalmente, incluir o termo “mídia” para tratar das pessoas. A multiplicidade de perspectivas, inimiga do coaching, da tia do zap que nunca ouviu O Céu é Muito, do Lenine (nunca perdemos uma piada, não é mesmo?) sem entrar na questão de ministérios e suas funções, parece ser um problema, e não uma solução. Os gringos, que não gostam de ser chamados de gringos (coitadinhos), têm uma expressão interessante: “it’s a feature, not a bug”. No caso, se vê muito esse tipo de frase no meio das discussões sobre cultura digital: a competitividade, num mundo capitalista, não seria diferente no social digital; é toda a graça do negócio, não causa nenhum problema. Será?

Recorro à minha pequena biblioteca. O autor era britânico, publicava isso em 1932, e só chegou aqui graças à Editora Unesp, em 2018, através da Bertrand Russell Peace Foundation. É importante falar esse tipo de coisa. Em um de seus livros, há um capítulo inteiro dedicado à ideia de competição, mas contextualizando, antes de abordar o tema da educação. Já citei esse senhor em outras oportunidades, mas olhando bem para alguns eventos recentes muito pouco inspiradores da fé na humanidade e pesquisando a nível supérfluo o que certos grupos pensam a respeito do termo “eugenia“, acho que convém transcrever o primeiro parágrafo na íntegra:

Alguns ideais dominantes do século XIX perduraram até a nossa época; outros, não. Aqueles que perduraram têm, em sua maioria, um campo de aplicação mais restrito em nossos dias do que tinham havia cem anos. Dentre eles, o ideal da competição é um bom exemplo. É um equívoco, acredito, considerar que a crença na competição se deve ao darwinismo. Na verdade, aconteceu o contrário: o darwinismo se deveu à crença na competição. O biólogo moderno, embora ainda acredite na evolução, não acredita tanto quanto Darwin que esta seja motivada pela competição. Essa mudança reflete a alteração ocorrida na estrutura econômica da sociedade. O industrialismo começou com grandes quantidades de pequenas empresas competindo entre si, a princípio com pouquíssima ajuda do Estado, que ainda era agrícola e aristocrático. Portanto, os primeiros industrialistas acreditavam na autoajuda, no laissez-faire e na competição. Da indústria, a ideia de competição disseminou-se para outras esferas. Darwin convenceu os homens de que a competição entre formas de vida foi a causa do progresso evolucionário. Os educacionistas se convenceram de que a competição na sala de aula era a melhor forma de promover a indústria entre os eruditos. A crença na livre competição foi usada por empregadores como argumento contra o sindicalismo–o que ainda ocorre nas partes mais atrasadas da América. Mas a competição entre capitalistas diminuiu de maneira gradual. A tendência é que toda uma indústria se combine nacionalmente, de forma que a competição passou a se dar sobretudo entre nações, com uma grande diminuição da competição entre as diversas empresas dentro de uma nação. Nesse interim, naturalmente, os capitalistas se empenharam–enquanto combinavam entre eles–a atrapalhar, tanto quanto possível, as combinações de seus funcionários. Seu lema tem sido: ‘Unidos, venceremos; divididos, eles cairão’. Desse modo, a livre competição foi preservada como um grande ideal em todas as áreas da vida humana, excetuando-se as atividades dos magnatas industriais. Quanto a esses, a competição é nacional e, portanto, toma a forma do estímulo ao patriotismo.

Bertrand Russell, “Competição na educação”. In: Educação e ordem social (2018). Editora Unesp. (p.143)

Aí, amizade, cabe ao leitor ou à leitora tirar conclusões, e pesquisar sobre a expressão francesa. Machado de Assis era erudito, assim como Dostoiévski, dentre outros exemplos. Não é a questão do acesso (que se argumente); mas sim o panorama, a visão. Sem acesso a outras perspectivas, não tem panorama ou visão–mas talvez (teoria razoável) essa seja uma ideia impugnada. A visão é natural de cada um (não falo do ponto de vista clínico, mas poderia). O panorama, talvez, seria algo que Noam Chomsky se interessaria em discutir, sendo o linguista responsável pela disseminação de termos como “inerente” e “inato” para falar de todas as qualidades com as quais as pessoas já nascem. Na verdade, não sou leitor de Chomsky; apenas conheço suas fundamentações através de comentadores, uma entrevista ou outra (dentre elas, a clássica com Foucault, que deixo aqui). Mas não, a responsabilidade pela disseminação de uma teoria e a interpretação da mesma em forma de texto, além das outras formas que tomam (o comentário oral sobre o texto, por exemplo), não é necessariamente do autor. Só não precisamos falar da Section 230, mas cabe uma pesquisa. O que Chomsky diz é que nascemos com a capacidade de cognição. Só isso. E muito mais, é claro. A teoria da “gramática universal” é complexa, mas o quanto estamos experimentando no campo da Linguística Aplicada, mesmo que informalmente, para argumentar que o jovem é muito bem informado?

O que todo pai e toda mãe quer, além de ver seu filho ou filha numa boa faculdade, com a vida encaminhada, esse tipo de coisa, é que não se metam em problemas. E aqui entra o fator de interesse: o problema é que as pessoas não percebem o nível de tensão da vida da criança de hoje. Não vamos brincar de soletrar, mas seria importante. Vamos fazer o que, discutir como foram construídas as nações? Acho que cabe mencionar que um passatempo dos adultos muito popular é a variedade dos jogos de palavras (Coquetel manda lembranças), como destacou matéria da NBC, e foram inventados muitos formatos. Mas o que o adolescente quer é uma outra questão. A criança? Num país em que investimentos em cultura são barrados, fica difícil prever. Inclusive, não é só aqui: existem os que argumentem que não deveria existir atuação conjunta do Estado e das entidades culturais. Mas será que a atenção dos pais e a atenção dos filhos deveria se voltar às mesmas temáticas, fontes, filosofias, estilos de vida, estéticas, linguagens, e que não esqueçamos, pessoas? Não seria egoísta não lhes permitir a diferença–talvez até autoritário? Talvez, mas é inegável que a necessidade e urgência de atenção para si já passou de um estágio epidêmico. O bom é que existe a semiótica, a morfologia, o professor…

Educação e o fator psicossocial: rebeldia e a imperfeição de modelos

Os sistemas de informação transformaram a ideia de relevância em todo o histórico complexo do desenvolvimento da mídia. Nativos digitais provavelmente pensariam: “ok, o VHS é obsoleto, mas como eu nunca conseguiria administrar uma locadora, é melhor ficar quieto”. Mas esse não é o ponto: ninguém aprende o que é obsoleto (a palavra) até pegar um bom texto pra analisar, o que pode ou não ser uma tarefa de sala de aula. Ninguém aprende princípios de administração aos 13 anos de idade, mas com certeza têm conta no Instagram. No entanto, nada dura pra sempre, e talvez precisemos conversar sobre o TikTok e o YouTube Kids, mas sem aquele papo de direitos autorais, sem grandes ideologias do conteúdo agradável, e principalmente, sem sugestões automatizadas de grandes influenciadores. Talvez. A quem cabe essa tarefa: pais, escola, sociedade ou a própria mídia?

É evidente que são apenas exemplos. Ao que tudo indica, ninguém sugere aplicativos por acaso, e são muitos. Se um adulto escolhe se inscrever em uma lista de email, isso garante que leia artigos todos os dias, forme suas opiniões com parcimônia e atentividade, além de assimilar dados fundamentais e compartilhar o que merece destaque? Apontará erros, identificará tendências além das discursivas, e lidará com as consequências — cada vez menos transparentes? Não importa, para tantos. Sua página tem números. Seus leitores foram superiores à média histórica, passaram os concorrentes. Mas hoje se pensa em conteúdo orgânico, não somente em visualizações — na verdade, apesar de todos os montantes das campanhas publicitárias, sempre foi assim.

Adolescentes convivem com a publicidade no espaço privado. Esse é o grande problema moral do século, mas é inconveniente apontar anúncios capitalistas como uma deficiência abominável. Afinal, todos sabemos que o “influencer” só precisa falar que tá com fome pra receber comida de graça, não é mesmo? Muito bem: todo aluno só precisa dizer que não entendeu para que o professor cumpra um papel mais digno que seguir o plano de aula. Isso não tem absolutamente nada a ver com publicidade, mas hoje se paga por aulas online (além do acesso e também pelo dispositivo). As escolas, com espantosas exceções, podem proporcionar acesso livre à internet e equipamento, mas isso é uma discussão bem antiga — e que falhou miseravelmente, não só no Brasil. Dados do INEP, TIC Educação e do CGI revelam um gravíssimo problema de constatação das dificuldades além da gestão: enquanto 95% das escolas, ao que é divulgado, possuem acesso à rede, as conexões são lentas (fala-se em 1Mbps) e 55% do acesso é feito em laboratórios de informática, por sua vez usados por apenas 30% dos professores — e convém lembrar: não se fala da frequência nem do conteúdo, muito menos se propõem modelos de atividades. Ou seja: a tal da revolução digital só funciona para as grandes empresas. Não existe, na moderna e exigente BNCC, menção de exemplos de conteúdos online. Mas sabemos: a realidade se molda, cada vez mais, pelos hábitos digitais. Quem ganha, e como podemos abordar o assunto do ponto de vista pedagógico, sociocultural, sem falar da grana?

A reflexão pode partir do princípio de que a escola forma pessoas para o exercício da cidadania. No mundo lá fora, uma vez cumpridas as obrigações curriculares e superadas as barreiras e os desafios da ordem social, o que define sua atuação é o trabalho. Naturalmente, existe competição. Mas não estamos inseridos no globalismo? Não sabemos que a ideia de conectar pessoas vai além dos interesses, mesclando também preocupações, princípios, fins e meios? Sugiro uma reflexão filosófica e propositiva do britânico Bertrand Russell, que escreve (pense nisso depois) em 1932: “a crença na livre competição foi usada por empregadores como argumento contra o sindicalismo, o que ainda ocorre nas partes mais atrasadas da América. Mas a competição entre capitalistas diminuiu de maneira gradual. A tendência é que toda uma indústria se combine nacionalmente, de forma que a competição passou a se dar sobretudo entre nações, com uma diminuição da competição entre as diversas empresas dentro de uma nação”. E aí, cedo demais pra falar sobre o plano americano de parceria com a sueca Ericsson e a finlandesa Nokia para contrapor a tecnologia 5G da chinesa Huawei, ou nada a ver?

O fato é que essa ideia de competitividade é a essência do livre mercado. Mas faltam psicólogos pra explicar como isso afeta a todos (eu, você, filhos que você tem ou pretende ter, mas talvez nem tanto a sua avó, e que Deus a tenha se for o caso). Não sabemos muito bem como os mais velhos lidavam com o mundo, mas alguns deles lidaram muito mal: tivemos duas Guerras Mundiais no século passado, e muito sangue derramado nos anteriores. Fala-se com benevolência e algum nível de empolgação sobre uma “guerra da informação”, mas sempre esquecem de mencionar que ninguém dá a mínima pra nova atualização do Windows, e talvez muito mais pra originalidade de uma letra de rap. Claro, isso incomoda; mas voltamos à questão dos papeis (da família, da escola, da sociedade, das mídias). Nas redes sociais, fica claro que há um excesso, apesar dos filtros (um ponto que, pessoalmente, não me sinto preparado pra discutir em detalhe); mas será que o que assimilamos de fato contribui positivamente para nossa formação, como pessoas, e não números estatísticos do sistema educacional ou potenciais consumidores? O que pode ser feito pra que essa formação traga novas formas de encarar os desafios que o mundo enfrenta, e nós com ele? E lá vem o cara de novo: “há uma tendência perigosa — em todos os países da Europa Ocidental, mas não nas Américas do Norte e do Sul — a infligir aos jovens uma educação tão excessiva que danifica a imaginação, o intelecto e até mesmo a saúde física.” Eu me sinto inclinado a comentar a questão da identidade e da comunicação, pois não falo espanhol, francês ou alemão, mas sei que o búlgaro, o tcheco e o polonês também não. Ou seja: se quisermos ter chance em nos entender, é melhor partir do princípio que o inglês é uma língua que cumpre um papel social. É claro, o Google Translate também, mas acho que é sempre bom ser realista…

E o que eu quero fazer com a minha habilidade de comunicar minhas ideias, sentimentos e percepções de mundo? A princípio, melhorar essas habilidades — mas do que e com quem você fala? Não ter essas habilidades é um gigantesco entrave, e contribui para um isolamento que pode evoluir para ideias radicais de nacionalismo, por vezes aliadas a uma política que sempre pode ser discutida, mas isso não é uma garantia, se é que me entendem. Talvez o pensador britânico possa ser interpretado num sentido mais metafórico: “o homem cuja língua é cerceada por leis ou tabus contra a liberdade de expressão, cuja pena é cerceada pela censura, cujos amores são cerceados por uma ética que considera o ciúme melhor que o afeto, cuja infância foi aprisionada em um código de boas maneiras e cuja juventude foi talhada em uma ortodoxia cruel, sentirá, contra o mundo que o tolhe, a mesma raiva da criança cujos braços e pernas são imobilizados.”

Mas será que essa, digamos, paralisia não se dá no sentido que acompanhamos (creio eu) na proposta do socialismo democrático, que aponta como única solução uma grande mudança estrutural que vem de baixo pra cima? Qual seria o modelo, para além da linguagem, que por si só já traria discussões para uma década — e seria, apesar da relevância, abandonada assim que surgisse a grande inovação tecnológica que cumpriria, supostamente, a função de unir o compromisso social com a urgência dos mercados? Não se tem resposta, mas depositamos nossa expectativa nas lideranças, não somente as de cargos oficiais, que fique claro. O que precisa ser discutido não é o conceito de liderança ou a legitimidade dos títulos, mas sim, defendo, o que torna possível apontar os caminhos, conhecendo os fatores em jogo. No fim, é isso: tome boas decisões, a todo momento. Mas errar é humano, e robôs não podem ser juízes, apesar de o princípio lógico parecer falho para pessoas, sem exagero, idiotas. Ninguém é perfeito, mas a sociedade exige — não apenas boas decisões, mas contribuições diversas, o que inclui, apesar de parecer pouco importante para alguns setores, a produção artística. Freud explica (em 1930): “apenas através da influência de indivíduos exemplares que as massas reconheçam como seus líderes é que elas podem ser movidas ao trabalho e às renúncias de que depende a continuidade da cultura. Tudo anda bem se esses líderes forem pessoas dotadas de uma compreensão superior acerca das necessidades da vida e tenham se resolvido a dominar seus próprios desejos impulsionais. Mas há o risco de que, para não perder sua influência, façam mais concessões à massa do que esta a eles, e por isso parece necessário que disponham de poder que lhes permita ser independente dela”.

É legal não esquecer que o maluco era alemão. Mas de qualquer forma, não acho que a cultura tenha um efeito negativo, à medida que as tradições pedem mudança e o sentimento coletivo, tantas vezes resultante em situações de negação dos privilégios das minorias (a aversão ao poder, mas também à concessão de direitos básicos, por quem o detém) mova uma grande máquina de manutenção do famoso status quo e legitime uma renúncia à satisfação dos impulsos, e devo dizer que não tenho conhecimentos profundos sobre o pensamento lacaniano; mas falamos de cultura digital, e alguns pontos da nossa história não parecem estar bem esclarecidos. Mas apesar do pedantismo inevitável (costumo falar com muito menos autoridade que isso, e tenho plena consciência do quão facilmente ela pode ser contestada e mesmo ridicularizada por uma esperança distante de passar boa impressão, além da prática do autor), penso que é importante voltar à questão educacional. Em 1990, o Estatuto da Criança e do Adolescente define: “é dever da família, da comunidade, da sociedade em geral e do Poder Público assegurar, com absoluta prioridade, a efetivação dos direitos referentes à vida, à saúde, à alimentação, ao esporte, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária”. Artigo Quarto, procura lá (sou apenas um blogueiro desempregado). Mas veja bem: desde quando a Lei é cumprida? Se fosse, isso não precisaria ter sido proposto dois anos após a Constituição Federal: alguém percebeu que faltou alguma coisa, sabe? Pense no problema em propor soluções para a era digital: só nas violações aos itens respeito e dignidade, já teria muita gente na cadeia; mas tem também o lazer. E sabe quem cuida disso? A publicidade. Querem discutir o item profissionalização, ou querem a minha história pessoal sobre o aplicativo Facebook Workplace?

Nem sempre a rebeldia se justifica. Mas só você pode chegar a essa conclusão, se o ponto é ter um aprendizado efetivo e edificador. Entre crises de sentimentos coletivos, combatividade sem propósito maior, escassez de recursos e ideias, marginalização socioeconômica e trilhões imaginários circulando entre os homens selecionados pela rede Bloomberg, a mais sincera contribuição que eu posso trazer para o debate, sabendo que vou ser contestado sem perdão, é o quanto eu acredito na maneira de pensar do tal do britânico: “a competição é negativa não só como fato educacional mas também como ideal a ser apresentado aos jovens. O mundo não precisa de competição, mas de organização e cooperação; toda crença na utilidade da competição se tornou um anacronismo. Mesmo se a competição fosse útil, não é, em si, admirável, já que as emoções às quais está relacionada são as de hostilidade e implacabilidade.”

Cultura digital e o lugar da educação: pensamentos transitórios

Uma das palavras mais evitadas por setores do conservadorismo secular, aquele que se entende morfologicamente por correlato à tradição voltada à preservação de bens, posições de poder e moralismo ontológico, é a tal da cultura. Não se trata de uma combinação infeliz de adjetivações aleatórias, como alguns escritores podem ter ouvido ao longo da carreira, seja em berros com observações contundentes na rua próxima ao lar agraciado por resquícios de conforto, seja na transposição do espaço público do nosso tempo, que se dá nas tipificações discursivas dos recursos eletrônicos. Conservador é aquele que conserva; mas como adquiriu? Cabe discussão, em outros setores que não aqueles que se utilizam das palavras-chave do antagonismo ou defesa de princípios ideológicos simplesmente para traçar linhas de separação e fazer escola com ou sem ferramentas analíticas, o que se traduz, também, em poder e moralismo; mas o cenário atual remete a uma pergunta mais profunda do que moral ou poder: temos ideologia, considerando os esforços pelo apagamento das reflexões históricas e obsessão dos estilos de vida presentes em constante, esvaziados do temor consequente, concentrados no último instante da experiência consciente, em momentariedades auto-suficientes, traduzidas num ethos erroneamente apropriado em que nada parece ter valor além do abandono da coletividade de embasamento em favor da vontade alienadamente séquita?

São muitos os que perdem de vista o sintomático para trazer novas menções às quase institucionalizadas matrizes do mundo tecnológico para explicar como vivemos, longe da utopia harmoniosa, produtiva, inspiradora, e cada vez mais familiarizando-se com uma ignobilidade permeada de cinismo, com a banalização da atratividade comunicativa, com o sentimento inerente ao espírito moderno que se dissipou em um processo incógnito de perda automatizada de relevância em todos os níveis. O grande erro pode ter sido a abordagem: quem disse que as gerações posteriores à de docência escrivã gostariam de ouvir falar em uma simulação de xadrez com máquinas? Estamos na era do apelo visual e dos processos cognitivos não revelados, da experimentação estética ao custo de reputações familiares, da insignificância dos termos concretos de despesas obrigatórias transferidos à amplificação do primeiro argumento carregado de uma pitada patética de humor nas inclassificáveis redes sociais. Será que não erramos no termo? Ou terá sido o caso de havermos indicado os mestres da publicidade e propaganda para vender conceitos de segurança, liberdade e respeito enquanto se esquematizava o futuro minimamente afetado das classes mais abastadas ao custo de uma impressão racionável de padronização da justiça, de um movimento natural da economia dos sentimentos e motivações, do exagero nunca exposto da balança ulterior que já produzia nos antigos o discernimento de que o comum e o extraordinário são responsabilidades de entidades diversas, ao passo em que o mísero conceito de felicidade transita entre os poderosos com audácia equivalente ao mais hipócrita dos demônios?

Tudo transita, mas os navios e seus tripulantes condensam a delonga das negociações de escritório em poemas nunca lidos, enquanto os jovens promissores enxergam uma falha na rede como o fim dos tempos, classificando-os em milhares de movimentos irreconhecíveis para si, embora devidamente mapeados pelas agências digitais, nunca concomitantes às colheitas que aguardam a natureza dar respostas que desafiem o espírito idiota do humano destrutivo e marcadamente avesso à narrativa conciliadora, contrastivo aos frutos que hão de se colher na megalópole. Chegamos ao ponto de agregar a comercialização do sexo ao funcionamento indissociável da sociedade dos dados e trazer em contrapartida um dispensar conformista a temas como a urgência da fome alegando uma disparidade de caráter invisível aos locais; acusamos pensadores em distúrbio de progressistas mancos; abandonamos a escala geográfica ao mesmo tempo em que traçamos grandes metas de polarização, sem avaliar a complexidade dos rituais, da diversidade étnico-linguística e abraçando a bandeira dos tabus para legitimar as piores atitudes do cidadão.

É possível pensar o futuro da educação pública brasileira, em meio a problemas de desenvolvimento tão centrais e estarrecedores? Onde existe desenvolvimento equiparável aos níveis internacionais, será que é justo trazer à prática das salas de aula uma justaposição ao ritmo da competitividade de mercado que faz dos anúncios uma prévia do que pessoas reais buscarão como realidade e luta diária, ao incorporar suas identidades, todas passíveis de controle e molde, ao sistema global de predadores sociais travestidos de habilidosos precursores da inovação e das soluções de conflito, nunca confundindo generalizações benéficas com flertes anti-democráticos? Devemos explicações, e quando houver honestidade nas respostas às imposições da era da conectividade, a próxima transformação estará em curso para dissipar o foco das nossas atenções e minimizar a problemática da exclusão, mais uma vez.