Metas perdidas não são tão perdidas assim. São efeitos lógicos de um certo estado de coisas.

Prazer. Escrevo a fim de esclarecer pontos de discórdia sobre minhas posições, motivacionadas ou não — sem a pentelhice da terminologia legal que mais parece ternologia da tecnologia — e dizer no que acredito que o meu país pode avançar.

Na edição 2371 n°9 da Revista Veja, última do mês de fevereiro de 2018, após a conjugação de Paschoal com Reale, a capa (o professor pede licença) tinha a headline: “A guinada populista de Temer”. Virando a página, um anúncio das cores laranja e azul (a nomenclatura exige que se escreva “banco”) deixa claro para o leitor atento, de olhos ainda não tão alienados à exposição dos dispositivos móveis como a raça do cachorro pug, um sinal de investimento.

Quais sejam? Na seguinte, a propaganda da companhia Fly Emirates, que muitos pagantes de serviços de comunicação conhecem no campo verde, com a bola em jogo. Ainda na mesma edição, é mencionado Berlusconi, um “troll” chamado Prigazhin, chef de cozinha de Vladimir Putin, e o termo mais duvidoso que já ouvi no ano de 2019, lido em atraso: “Brasil pós-ditadura, o terceiro governo”.

Há menção à legalização da maconha e as chamadas “medidas de coerção” — que, como sabemos, não ocorrem no Canadá. Tem-se em jogo a questão da saúde pública, além da habitacional, e ainda estamos longe da conversa sobre a internet das coisas.

Afinal, a reforma da previdência é o leão do Brexit, que tem a perfeita definição do bipartidarismo? Discutimos a BNCC? O Rio assistiu uma “apropriação cultural”, nas palavras do senhor eleito. Em outro plano, Macaco Bong toca a faixa “vamo dá mais uma?”

Eis o xis da questão: acreditar no Brasil é acreditar em educação e cultura. Mas custa acreditar no brasileiro. Essa cultura gera movimentos migratórios, e o reconhecimento facial está longe de ser priority 1, pois queremos água. Insira aqui o debate sobre o termo “catfish”. Enquanto engravatados assinam com leveza e muito diazepan, discutimos a “cultura do quarto”, aquela solitária, aquela da cobrinha. Poxa, você se lembra?

Lula disse, depois do Minha Casa Minha Vida, do ProUni, do Pré-Sal (com o qual presumo haver gargarejado com a maestria de uma engolidora de espadas), e do Fome Zero, verdadeiro tema com reflexos na luta de Bernie Sanders pelo plano de saúde universal (grandes declarações do fim dos 40 atentam a este ponto), e lembrando ainda do contraste com o Artigo 13 e o DMCA, o 15 ou 50, para os que falam com erre ora retroflexo ora aspirado (porém não mudo); este homem barbudo, o homem que fala zap-zap, voltemos a ele, profetizou: “o pobre vai viajar de avião!”

Vamos elencar itens para as panteras que deram tapa (piada de autor irreconhecível): 1) cobranças; 2) transparência; 3) mito da gratuidade; 4) preços em alta; 5) experiência lá fora; 6) concorrência; 7) capital estrangeiro. Se forem estes, em hipótese, os valores do viajante, transeunte, piloto ou maquinista, ouviremos o som dos navios. Se não, é o caso de estudar a história da Siemens e da Huawei, da Goldman Sachs e da JP Morgan, do McDonalds e dos afins. Just gonna leave this here: phone zero. Dizem que exatas são retas e curvas. E é por tudo isso e mais um pouco que não querem ter aula de inglês. É Molly?

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